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Vacina Experimental Protege Contra Zika

Atualizado em: 01/02/2018 às 15h37

O Instituto Evandro Chagas revelou, na manhã de ontem, os resultados de um estudo realizado em parceria com diversas instituições científicas e de saúde que comprovou a eficácia de duas vacinas experimentais contra a zika, que impedem, completamente, a infecção pelo vírus no útero de fêmeas de camundongos.

A maior parte dos fetos de camundongos analisados não apresentou evidência de infecção pelo vírus da zika, resultado que comprova a eficácia da vacina experimental contra danos às placentas e malformações.

 

Publicado na revista científica Cell, o resultado abre caminho para os testes do imunizante em humanos.

O estudo será registrado na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anisa) e entidades científicas e, posteriormente, será obtida a autorização para os testes em humanos. A vacina será produzida pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Biomanguinhos), da Fundação Oswaldo Cruz, que poderá preparar os testes em humanos a partir de 2018.

 

“Este estudo demonstrou, de forma clara, que a vacina que nós desenvolvemos protegeu animais, camundongas prenhas, da transmissão congênita que o vírus zika costuma causar, que são os casos de microcefalia e má formação congênita.

As vacinas se mostraram 100% eficazes. A vacina demonstrou que, com uma única dose, é capaz de proteger completamente a população-alvo para o resto da vida”, explicou Pedro Vasconcelos, diretor do Instituto Evandro Chagas, médico pesquisador e um dos coordenadores do estudo.

O estudo contou com um investimento de aproximadamente R$ 10 milhões do Ministério da Saúde. A vacina contra o vírus zika deverá ser administrada em dose única. O público-alvo da imunização serão mulheres em idade fértil e seus parceiros, mas prevê-se, também, a vacinação de crianças de ambos os sexos a partir dos 10 anos ou menos.

A vacina não poderá ser aplicada em gestantes, mas o Instituto está desenvolvendo, ainda, outra tecnologia para ser ia utilizada em mulheres grávidas.

 

O ESTUDO

O estudo divulgado ontem foi feito a partir da observação de 46 fêmeas de camundongo. Metade do grupo recebeu a vacina desenvolvida pelo instituto e metade recebeu placebo. Passados 28 dias, os animais foram testados. O grupo vacinado apresentou altos índices de anticorpos contra zika.

 

Em uma  outra etapa, todas as fêmeas acasalaram. Dias depois, foram expostas ao vírus. Nos camundongos vacinados, foram encontrados apenas traços genéticos de zika, mas em uma quantidade considerada pouco significativa. Além disso, não foram encontrados traços de vírus na placenta ou em tecidos cerebrais dos fetos de camundongos que haviam sido imunizados.

Os resultados foram obtidos com a aplicação de uma dose do imunizante.

Pesquisadores repetiram o estudo com outra vacina, desenvolvida pelo grupo Valera. Para esse braço do trabalho, 19 fêmeas de camundongos receberam duas doses da vacina. Um grupo controle, com 19 fêmeas, recebeu placebo. As fêmeas também acasalaram e, já prenhas, foram expostas ao vírus zika. Os traços de vírus encontrados nas mães, nas placentas e nos fetos foram baixos no grupo imunizado.

 

“Os trabalhos indicam que as duas vacinas exercem um papel protetor. A diferença é a de que do instituto é preciso apenas uma dose”, avalia Vasconcelos.

 

Segundo os pesquisadores, uma das maiores vantagens da vacina feita com vírus atenuado é a capacidade de induzir proteção com apenas timo dose, garantindo, assim, uma rápida e duradoura proteção contra o vírus, gerando Imunidade por toda a vida.

Esta primeira vacina foi obtida pela retirada de uma parte do material genético do vírus.

 

MICROCEFALIA

Identificado pela primeira vez no país em abril do ano passado, o vírus da zika tem provocado intensa mobilização das autoridades de saúde no país.

Enquanto a doença costuma evoluir de forma benigna – com sintomas como febre, coceira e dores musculares – o que mais preocupa é a associação do vírus com outras doenças. Assim como os vírus da dengue e do chikungunya, o vírus da zika também é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti.

 

A relação entre zika e microcefalia foi confirmada pela primeira vez no mundo no fira de novembro de 2015 pelo Ministério da Saúde brasileiro. A investigação, ocorreu depois da constatação de um número muito elevado de casos em regiões que também tinham sido acometidas por casos de zika.

A evidência crucial para deter minar essa ligação foi um teste feito no Instituto Evandro Chagas, que detectou a presença do vírus da zika em amostras de sangue coletadas de um bebe que nasceu com microcefalia no Ceará e acabou morrendo.

 

Fonte: Jornal O Liberal, 14jul17

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