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O Que É CHIKUNGUNYA

Atualizado em: 02/11/2017 às 12h44

O que é?

A FEBRE DE CHIKUNGUNYA é uma doença infecciosa aguda causada por um vírus de mesmo nome, que infecta seres humanos pela picada da fêmea dos mosquitos do gênero Aedes, principalmente o Aedes aegypti (o mesmo transmissor da dengue e da febre amarela) e o Aedes albopictus. O nome chikungunya vem da linguagem  africana kimakonde e significa “contorcer-se”, referindo-  se ao aspecto encurvado dos pacientes devido às dores  nas articulações causadas pela doença.

 

 Sinais e Sintomas

O tempo, entre a picada do inseto e o início dos sintomas, varia de 1 a 12 dias com média de 3 a 7 dias.

– Febre alta e repentina.

– Dores intensas nas articulações – pés e mãos, pulsos, tornozelos e joelhos.

– Erupções na pele (manchas vermelhas).

– Inchaço nas juntas;

– Os sintomas reumatológicos (artrite, artralgia, tenossinovite…) causados pelo chikungunya podem levar meses ou anos para desaparecer.

– Dor de cabeça.

– Dores nos músculos.

– Enjoo.

– Vômito.

– Fadiga.

 

Transmissão

Uma pessoa infectada pode transmitir o vírus para os mosquitos no período de viremia, ou seja, período em que o paciente detém o vírus na corrente sanguínea (até 8 dias após o início dos sintomas). A doença é transmitida pela picada dos mosquitos infectados. Não há transmissão direta entre pessoas. Mas pode acontecer através do sangue (transfusão, manipulação em laboratórios…) e também durante o parto, da mãe infectada para o recém-nascido. Não foram encontrados registros de transmissão do vírus através da amamentação.

 

Diagnóstico

Há diversas formas de diagnóstico do chikungunya, e o Instituto Evandro Chagas está habilitado a fazer todos os tipos, uma vez que é Laboratório de Referência Nacional do Ministério da Saúde para essa e outras arboviroses (doenças virais transmitidas por artrópodes hematófagos), conforme abaixo:

– Sorologia: técnica para detecção de anticorpos antichikungunya das classes IgM e IgG. Anticorpos IgM aparecem geralmente a partir do quarto dia da doença e podem permanecer detectáveis por pelo menos 45 dias (geralmente até 90 dias) e são indicativos de infecções recentes.

– Diagnóstico virológico por biologia molecular: essa técnica consiste na realização da Transcrição Reversa seguida de Reação em Cadeia da Polimerase (RT-PCR). A técnica recomendada é a RT-PCR em tempo real, que é mais rápida oferecendo resultado em poucas horas.

–  Diagnóstico virológico por isolamento viral: esse tipo de teste diagnóstico pode ser feito preferencialmente em amostras coletadas até cinco dias após o início da doença e deve ser feito em laboratório especializado como o do IEC. Trata-se de tentativa de isolar o vírus do paciente suspeito, por meio do cultivo em células, ou em animais de laboratório. De maneira geral, o vírus chikungunya é mais facilmente detectado no sangue nos primeiros dias de infecção, podendo não ser encontrado mais tarde. Por isso, o isolamento viral e a RT-PCR podem apresentar resultados negativos se o material para exame for colhido fora do tempo indicado.

 

Tratamento

Se alguém suspeitar que possa estar infectado, deve procurar um médico ou uma unidade de saúde próxima e, em hipótese alguma, tomar remédio por conta própria. Isso pode mascarar os sintomas e dificultar o diagnóstico. Não há medicamento específico contra o chikungunya. O tratamento consiste no alívio dos sintomas através de medicação para a febre (analgésicos) e para as dores nas articulações. Além disso, o paciente deve permanecer em repouso e ingerir muito líquido. Os medicamentos contendo ácido acetilsalicílico e seus derivados, bem como os anti-inflamatórios não hormonais devem ser evitados. As internações só são necessárias nos casos mais graves da doença. Em geral, os pacientes se recuperam após dez dias do início dos sintomas, mas as dores nas articulações podem persistir por meses ou mesmo anos. Mortes são raras.

 

Prevenção

Não há vacina contra o vírus. Prevenir é combater o mosquito transmissor, que é o mesmo vetor da dengue, sendo importante eliminar os seus criadouros naturais e artificiais, o que exige mobilização da comunidade, como:

– Inspecionar e limpar a casa e seus arredores semanalmente em busca de possíveis criadouros.

– Eliminar ou tampar recipientes que acumulem água: tanques, baldes, barris, tambores, bebedouros de animais, embalagens descartadas, condicionadores de ar, pratos de vasos etc.

– Limpar recipientes em que a água ficou acumulada.

– Limpar calhas dos telhados de residências e prédios.

– Remover folhas secas que caem das árvores, pois podem acumular água.

O mosquito usa água limpa, não corrente, para depositar seus ovos e se reproduzir, por isso é importante eliminar qualquer recipiente que possa funcionar como criadouro. As medidas devem ser intensificadas antes da temporada de maior transmissão: durante e após o período chuvoso e em epidemias.

Durante uma epidemia, é importante se proteger da picada do mosquito:

– Usar roupas compridas para diminuir a exposição da pele.

– Usar repelentes.

– Usar mosquiteiros, que serão mais eficazes se impregnados com inseticidas.

 

Epidemiologia

O primeiro caso de chikungunya foi registrado em 1952 na Tanzânia. A partir daí, os registros de casos, em países da África, foram poucos, até que ocorreram epidemias em 1999 e 2000 no Congo, em 2004 no Quênia e em 2007 no Gabão.

Na Ásia, houve epidemia urbana na Tailândia, na década de 1960, e na Índia também nos anos 1960 e nos 1970.

A partir de 2004, ocorreu nova epidemia no Quênia, que se espalhou para ilhas do oceano Índico durante dois anos, espalhando-se daí para a Índia onde ocorreu uma grande epidemia em 2006, que disseminou o chikungunya por vários países, causando doença em milhões de pessoas até 2007. Em 2007, registrou-se a primeira transmissão na Europa, no norte da Itália, com 197 casos. Em 2010, foram notificados casos na Índia, Indonésia, Myanmar, Tailândia, Maldivas e La Réunion, bem como casos importados em Taiwan, França, EUA e Brasil.

A partir de dezembro de 2013, uma epidemia por CHIKV afetou diversas ilhas do Caribe, com transmissão autóctone da doença em vários países (Guiana Francesa, São Martinho, Martinica, Guadalupe, Dominica, São Bartolomeu e Ilhas Virgens Britânicas) e em janeiro de 2014 foram detectados os primeiros casos em países do Continente Americano. Casos importados, alguns virêmicos, foram detectados no Brasil desde junho de 2014. Em setembro de 2014 detectou-se o primeiro caso com transmissão autóctone no País no estado do Amapá. Até o dia 27 de setembro deste ano, o Ministério da Saúde, com a colaboração do IEC, confirmou 79 casos de febre chikungunya no Brasil. Destes, 38 foram detectados em pessoas que viajaram para países com transmissão estabelecida da doença (importados), como República Dominicana, Haiti, Venezuela, Ilhas do Caribe e Guiana Francesa. Os outros 41 foram diagnosticados em pessoas sem registro de viagem internacional para países onde ocorre a transmissão (autóctones), dos quais, oito foram registrados no município de Oiapoque (AP) e 33 no município de Feira de Santana (BA).

Os fatores que contribuem para a vulnerabilidade do Continente Americano são a presença dos mosquitos transmissores da doença em quase toda sua extensão bem como a pouca imunidade ao vírus, já que o mesmo é relativamente novo, sem circulação prévia.

Como se trata de um vírus emergente nas Américas, cuja população encontra-se inteiramente susceptível e onde a ampla distribuição de mosquitos transmissores está estabelecida, fatores que favorecem a rápida transmissão do vírus, considera-se que existe o risco eminente de que o chikungunya continue se espalhando para novas áreas nas Américas (OPAS, 2014). Por isso, a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde adotou medidas estratégicas quanto à introdução do vírus chikungunya no Brasil. Estão disponíveis no site portalsaude.saude.gov.brinformações sobre a doença, inclusive os procedimentos a serem adotados para a vigilância, notificação e investigação de casos suspeitos de febre de chikungunya em todo território nacional.

O Ministério alerta que o mais importante é evitar os criadouros dos mosquitos, medida que é eficaz para evitar o chikungunya e a dengue. Além disso, todos os casos são de notificação obrigatória.

 

Chikungunya X Dengue

No chikungunya a duração da febre é menor, as erupções cutâneas – inclusive bolhosas – são mais frequentes, as dores nas articulações são mais fortes e podem durar mais de um mês, mas choque e hemorragia são raros. O vírus chikungunya também causa, com mais frequência, linfopenia (baixa no número de linfócitos).

Já, o da dengue é um vírus mais propenso a causar neutropenia (diminuição no número de neutrófilos), trombocitopenia (redução do número de plaquetas no sangue), hemorragia, choque e morte.

Pacientes com suspeita de chikungunya devem ser tratados como pacientes de dengue até que essa possibilidade seja descartada. Esse procedimento clínico reduz o risco de complicações e morte.

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