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GRIPE – CRIANÇA DE QUATRO ANOS PERDE A VISÃO APÓS CONTRAIR A DOENÇA

Atualizado em: 17/01/2020 às 11h16

Tudo parecia bem. A pequena Jade DeLucia, 4 anos, de Iowa, nos Estados Unidos, estava saudável e brincando, como qualquer criança da sua idade. Até que no dia 19 de dezembro, Jade reclamou que não estava se sentindo bem e teve febre baixa.

 

Os pais medicaram a menina com antitérmico e ela voltou a brincar com sua irmã mais velha Catalina. “Ela passou a brincar, correr e pedir comida novamente. Não havia nenhum sinal que me dissesse que algo estava seriamente errado com ela”, disse ela”, contou a mãe Amanda Phillips à CNN.

 

Na noite de 23 de dezembro, enquanto ela trabalhava em seu turno como gerente em uma loja, o pai de Jade, Stephen DeLucia, colocou a menina na cama. Na manhã seguinte, a família estava pronta para passar a véspera de Natal com os pais de Amanda, mas Jade ainda não tinha acordado.

 

Quando o pai foi procurá-la, ela estava deitada na cama, sem responder. E seu corpo estava ardendo em febre. “Entramos em pânico e corremos para o hospital”, conta Amanda.

 

Quando eles chegaram ao Covenant Medical Center, o corpo de Jade começou a tremer incontrolavelmente, e seus olhos rolaram para a parte de trás da cabeça. Ela estava tendo uma convulsão.

 

Os médicos alertaram que Jade precisava ser transferida para o hospital infantil da Universidade de Iowa, em Iowa City, a cerca de 130 quilômetros de distância. Não havia tempo para uma ambulância. Ela teria que ser levada de helicóptero.

 

“Ao ver minha filha decolar, eu achei que não iria vê-la novamente”, diz Amanda.

 

No dia de Natal, eles descobriram que a gripe havia afetado o cérebro da pequena. Trata-se de um acometimento do sistema nervoso conhecido como encefalopatia.

 

Os médicos mostraram aos pais de Jade os resultados da ressonância magnética. “Eles disseram que ela teve um dano cerebral significativo e que poderia não sobreviver. Caso isso acontecesse, ela teria sequelas”, conta Amanda.

 

Nos dias seguintes, Jade permaneceu quase completamente sem resposta. No dia 31 de dezembro, eles receberam o diagnóstico: encefalopatia necrotizante aguda, um tipo de encefalopatia geralmente causada por uma infecção viral.

 

Essa doença é tão rara que existem poucos estudos sobre o desempenho das crianças. Um deles analisou quatro crianças com o problema e três delas morreram. “Faz sete dias. Sete dias que Jade parece estar desaparecendo sem esperança”, escreveu sua mãe no Facebook naquele dia. “Tudo por causa da gripe.”

 

Os médicos receitaram esteróides para acalmar o inchaço em seu cérebro. E, finalmente, no dia 1 de janeiro, os pais de Jade receberam boas notícias. O que parecia tão improvável aconteceu: Jade acordou.

 

“Ela abriu os olhos. Está olhando em volta. Apertamos suas mãos! E depois sorrimos!” ela disse. Nos dias seguintes, Jade foi ficando cada vez melhor. O tubo de respiração foi retirado. Ela poderia se sentar e comer. Pediu seu pudim de chocolate favorito.

 

No entanto, no dia 5 de janeiro, sua mãe percebeu que Jade não estava enxergando. Ela colocou o unicórnio branco, seu bicho de pelúcia favorito na frente do rosto, e Jade não olhou para ele. O mesmo aconteceu quando ela jogou uma bolinha. Jade não a assistiu enquanto subia no ar.

 

Um oftalmologista entrou e examinou os olhos de Jade. Tudo parecia bem. O problema não estava nos olhos dela. Foi com seu cérebro, que havia sofrido por causa da gripe. “Isso afetou a parte do cérebro que percebe a visão, e não sabemos se ela recuperará a visão”, disse Czech, neurologista de Jade. “Daqui a três a seis meses, saberemos. Qualquer que seja a recuperação que ela tenha aos seis meses, isso é provavelmente tudo o que ela obterá”.

 

A criança também pode ter problemas cognitivos ou de desenvolvimento, como dificuldades de aprendizagem. Tudo será determinado nos próximos meses e anos, mas, considerando que Jade chegou ao hospital sem resposta na véspera de Natal, os médicos estão impressionados com seu progresso.

 

Jade voltou para casa em 9 de janeiro. Uma das primeiras coisas que fez foi tocar o rosto da irmã, depois a puxou para perto e chorou.

 

O recado dos pais de Jade é forte: “Por favor, vacinem os seus filhos todos os anos. Se eu puder impedir que uma criança fique doente, é isso que eu quero fazer. É terrível ver seu filho sofrer assim”.

 

Palavra de especialista

Confira entrevista com o neuropediatra Marcos Escobar, Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e da Clínica Everes (SP) sobre uma das mais graves complicações do vírus da gripe:

 

Qual é a frequência de encefalopatia necrotizante aguda como complicação do vírus da gripe?

 

É muito rara. Essa condição geralmente é decorrente de outras infecções virais, como o herpes vírus tipo 6, mas o vírus da gripe é o causador mais comum.

Como a encefalopatia necrotizante aguda afeta o cérebro?

Quando há uma infecção viral, ocorre uma resposta imunológica. Acredita-se que a resposta imunológica de alguns indivíduos seja exagerada o que acaba afetando os vasos sanguíneos do cérebro. Eles ficam frágeis, começam a sangrar e em seguida acontece uma necrose, que é a morte de tecidos decorrente da falta de irrigação desses vasos em determinada área. Essas lesões costumam acontecer dos dois lados do cérebro, e em alguns outros pontos focais.

Qual é a gravidade desses casos? Existe algum dado que aponte a chance de uma criança se recuperar sem sequelas?

A encefalopatia necrotizante aguda é uma doença grave, em torno de 30 % das crianças acabam falecendo e cerca de 60% ficam com sequelas. Acredita-se que apenas 10% das crianças que tiveram esse quadro se recuperam completamente.

Existe algo que possa ser feito para impedir que uma gripe evolua para um caso de encefalopatia?

O mais importante é evitar pegar gripe. Lavar bem as mãos, evitar contato com pessoas doentes, evitar levar a criança ao pronto socorro quando não houver real necessidade, e, é claro, tomar a vacina contra o vírus.

Os danos causados pela encefalopatia necrotizante aguda (como perda da visão) em crianças pequenas são reversíveis? Por que?

Para os tecidos necrosados não há recuperação. Porém, algumas vezes, acontece um inchaço em torno das lesões, o que provoca uma perda temporária de uma função do cérebro. Conforme esse inchaço diminui com o tempo, a criança tem chance de recuperar parcial ou totalmente a função perdida.

 

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