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Dose Dupla: Vacinação Contra HPV Nos Meninos Previne Doenças E Auxilia Na Imunização Das Meninas

Atualizado em: 03/11/2017 às 19h39

Estudos mostram que não há relação entre a vacinação e o início da vida sexual. Temos de abrir o olho e saber que nossos filhos vão iniciar a vida sexual na adolescência, não adianta negar, independentemente de estar vacinado ou não. Se eu quero proteger meu filho, é melhor ele se vacinar antes que entre em contato com o vírus e, quanto mais novo ele for, melhor será a resposta à vacina. A idade estipulada tem a ver com isso.

 

Para o infecto pediatra Renato Kfouri, vice-presidente da SBIm, após o Ministério da Saúde ter priorizado as meninas — em função da alta incidência de HPV nos casos de câncer de colo de útero (são 16 mil novos no Brasil, com algo em torno de 5.000 mortes) — uma nova etapa se inicia com a inclusão dos meninos para receberem as doses disponíveis em unidades do SUS (Sistema Único de Saúde).

 

O que se tem demonstrado nos outros países, e o Brasil é o sétimo país do mundo que introduz a vacina no sexo masculino, é que, quando se associa um vírus de transmissão sexual a ambos os sexos, e os meninos são imunizados também, cresce muito a proteção das meninas. Além disso elas também são estimuladas a irem se vacinar.

 

Kfouri ressalta que a vacinação irá prevenir doenças também causadas pelo HPV no sexo masculino, como câncer de pênis, de ânus, de boca e de faringe. Dados da SBIm mostram que 90% dos casos de câncer de ânus são causados pelo HPV. Nos casos de câncer de boca, 75% são consequência do HPV, sendo que, no Brasil, surgem 20 mil casos de câncer de boca por ano. Nos casos de câncer de pênis, o índice por HPV chega a 65%. Além de trabalhar pela prevenção destas doenças, a vacinação em meninos, segundo o médico, irá reduzir significativamente a incidência do vírus de uma maneira geral, já que a população imunizada estará cada vez maior.

 

Existe o ganho adicional para a prevenção das meninas, além da prevenção das doenças no sexo masculino. É uma estratégia que está se mostrando mais eficaz quando se associa ambos os sexos em um programa de vacinação.

 

A imunização pode ocorrer, em clínicas particulares, também para pessoas fora da faixa etária determinada pelo SUS e que já iniciaram a vida sexual. Para quem já iniciou a vida sexual e teve contato com o vírus, a vacina terá a mesma eficácia se a pessoa receber uma terceira dose, meses depois, já que as duas apenas podem não ser suficientes.

 

Vacina protege contra lesões

Dados publicados nos Estados Unidos, Reino Unido, Austrália e Canadá apontam redução das lesões “chamadas pré-cancerosas, tratadas antes de virar câncer, precursoras do câncer”, explicou Kfouri. Porém, segundo o médico, devido à lenta evolução do câncer de colo de útero e de outros tumores relativos ao vírus, ainda não há estatísticas que apontem uma diminuição da incidência dessas doenças por causa da vacina, descoberta apenas há cerca de 10 anos.

 

Certamente daqui a algumas décadas vamos observar uma grande redução dos casos de câncer de colo de útero [por causa do imunizante].

 

HPV é vírus muito comum

Bastante frequente e presente em cerca de 80% dos indivíduos com vida sexual, o HPV é um vírus que tem potencial para causar doenças em ambos os sexos.

 

No caso da vacina, os tipos 6 e 11 estão ligados ao surgimento de verrugas genitais em 90% dos casos. Já os 16 e 18 se relacionam a 70% dos casos de câncer de órgãos genitais como colo de útero, vulva, vagina e pênis. Kfouri conta que o HPV é um vírus independente, assim como outros, como o da gripe, da hepatite e Aids. A contaminação pode até ser feita pelo contato de pele, mas a grande maioria dos casos é decorrente de relações sexuais.

 

A transmissão se dá de pessoa para pessoa, quase exclusivamente por contato sexual. O HPV é um vírus que predominantemente ataca mucosas, por isso causa câncer na boca, faringe, vagina, ânus e outros órgãos genitais.

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